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Oficina de Práticas de Contação de Histórias chegando!!!

Não percam a nossa Oficina de Práticas para Contação de Histórias gratuíta no dia 20/06/2026 das 14:00 às 18:00 na Unibes Cultural. Vagas limitadas!

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Joana Cavalcanti

" Quem conta uma história cria um instante de partilha  segreda os mistérios da alma  e faz surgir no céu uma estrela "

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Contar histórias: prática pouco comum

Por Marcus Tavares
Personagem de Monteiro Lobato, Dona Benta, para muitas gerações, foi e ainda é o ícone da avó carinhosa que instiga as crianças com suas fábulas. No Sítio do Pica-Pau Amarelo, longe de todas as tecnologias e atrações do mundo moderno, as histórias transportavam Pedrinho, Narizinho e a turma da Emília para aventuras mirabolantes.

 

As narrativas ganhavam vida própria. E a imaginação era apenas o primeiro passo. Há muito tempo, o dia-a-dia bucólico do Sítio não encontra mais eco nas grandes cidades. O dia é curto para tantos compromissos, afazeres e responsabilidades. O que dirá para o espaço dedicado às histórias?

 

Não há estatísticas, mas escritores, professores e pesquisadores afirmam que contar histórias tornou-se uma prática pouco comum no cotidiano das famílias.

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“Embora as crianças continuem precisando de histórias para ver mais sentido na vida”, afirma Gilka Girardello, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e coordenadora do projeto Ateliê da Aurora.


De acordo com Gilka, se a família já não conta mais histórias, as crianças vão buscá-las em outros lugares: na televisão, na internet, nos livros, com os amigos ou na hora do recreio.

Para a professora, nenhum desses meios é essencialmente bom ou mau enquanto forma de transmissão de narrativas, mas nenhum também substitui o valor do encontro. “Muito menos do laço de afeto entre a mãe e as crianças. Entre o pai e o menino na beira da cama ou no sofá da sala, onde o adulto escolhe aquela história certinha para a criança que ama, do jeito que ela precisa”, destaca.

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Contação de
histórias

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Para Eliana Yunes, professora do Departamento de Letras da PUC-Rio, ao deixar de contar histórias, perde-se o calor da voz, o olho no olho, a troca de palavras depois da narração que ocorria entre os mais velhos e os mais novos, “como ilustra Lobato com sua Emília interagindo com Dona Benta”.
 

A intimidade e a cumplicidade que as histórias proporcionam a adultos e crianças são insubstituíveis e cada vez mais necessárias. Na avaliação do escritor Bartolomeu Campos de Queirós, quando o pai ou a mãe contam uma história para o filho, além de deixar vir à tona as fantasias, eles estão, na prática, dedicando um tempo precioso aos filhos.

“A presença afetiva e concreta de quem a criança ama, ao seu lado e só para ela, suplanta as demais funções da história. Quando a criança pede uma história, eu escuto ela dizer: fica comigo!

Histórias do coração

 

Uma fábula sobre a fábula

Lenda Oriental 

por Malba Tahan

 

Quando Deus criou a mulher, criou também a fantasia. Um dia a Verdade resolveu visitar um grande palácio. E havia de ser o próprio palácio em que morava o sultão Harun Al-Raschid.

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Envolta em lindas formas num véu claro e transparente, foi ela bater à porta do rico palácio. Ao ver aquela formosa mulher, quase nua, o chefe dos guardas perguntou-lhe: - Quem és? - Sou a Verdade! - respondeu ela, com voz firme. - Quero falar ao vosso amo e senhor, o sultão Harun Al-Raschid. 

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O chefe dos guardas, zeloso da segurança do palácio, apressou-se em levar a nova ao grão-vizir: - Senhor, - disse, inclinando-se humilde, - uma mulher desconhecida, quase nua, quer falar ao nosso soberano, o sultão Harun Al-Raschid. - Como se chama? - Chama-se  Verdade! - A Verdade! - exclamou o grão-vizir, subitamente assaltado de grande espanto. - A Verdade quer penetrar neste palácio! Não! Nunca! Que seria de mim, que seria de todos nós, se a Verdade aqui entrasse? Dize-lhe que não pode entrar de jeito nenhum.

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Voltou o chefe dos guardas com o recado do grão-vizir e disse à Verdade: - Não podes entrar! Vendo que não conseguiria realizar o seu intento, ficou muito triste a Verdade, e afastou-se lentamente do grande palácio. 

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Mas... quando Deus criou a mulher, criou também a Obstinação. E a Verdade continuou a alimentar o propósito de visitar um grande palácio.

E havia de ser o próprio palácio em que morava o sultão Harun Al-Raschid... Cobriu as peregrinas formas de um couro grosseiro como os que usam os pastores, colocou um chapéu cobrindo quase todo o rosto e foi novamente bater à porta do suntuoso palácio.

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Ao ver aquela mulher grosseiramente vestida com peles, o chefe dos guardas perguntou-lhe: - Quem és? - Sou a Acusação! - respondeu ela, em tom severo. - Quero falar ao vosso amo e senhor, o sultão Harun Al-Raschid. 

O chefe dos guardas, zeloso da segurança do palácio, correu a entender-se como o grão-vizir. - Senhor - disse, inclinando-se humilde, - uma mulher desconhecida, o corpo envolto em grosseiras peles, deseja falar ao nosso soberano. Como se chama? - A Acusação! - A Acusação? - repetiu o grão-vizir, aterrorizado. - A Acusação quer entrar nesse palácio? Não! Nunca! Que seria de mim, que seria de todos nós, se a Acusação aqui entrasse! A perdição, a desgraça nossa! Dize-lhe que não, que não pode entrar!

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Voltou o chefe dos guardas com a proibição do grão-vizir e disse à Verdade. - Não podes entrar! Vendo que não conseguiria realizar o seu intento, ficou ainda mais triste a Verdade e afastou-se vagarosamente do grande palácio do poderoso Harun Al-Raschid, cuja cúpula cintilava aos últimos clarões do sol poente.

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Mas...quando Deus criou a mulher, criou também o Capricho. E a Verdade entrou-se do vivo desejo de visitar um grande palácio. E havia de ser o próprio palácio em que morava o sultão Harun Al-Raschid.

Vestiu-se com ríquissimos trajes, cobriu-se com jóias e adornos, perfumes, envolveu o rosto em um manto de seda e foi bater à porta do palácio mais uma vez. Ao ver aquela encantadora mulher, linda, o chefe dos guardas perguntou-lhe: - Quem és? - Sou a Fábula - respondeu ela, em tom meigo. - Quero falar ao vosso amo e senhor, o generoso sultão Harun Al-Raschid!

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O chefe dos guardas, zeloso da segurança do palácio, correu, radiante, a falar com o grão-vizir: - Senhor, - disse, inclinando-se, humilde - uma linda e encantadora mulher, vestida como uma princesa, solicita audiência de nosso amo e senhor, o sultão Harun AlRaschid. - Como se chama? - Chama-se Fábula! - A Fábula!!! - exclamou o grão-vizir, cheio de alegria. - A Fábula quer entrar neste palácio! Que maravilha!!! Que entre!

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Benvinda seja a encantadora Fábula: Que ela seja recepcionada com flores e perfumes! Quero que a Fábula tenha, neste palácio, o acolhimento digno de uma verdadeira rainha!

E abertas de par em par as portas do grande palácio de Bagdá, a formosa peregrina entrou.

E foi assim, vestida de Fábula, que a Verdade conseguiu entrar no palácio do sultão Harun Al-Raschid, o sultão mais poderoso de todos os tempos.

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